
Dia de chuva
Num dia de chuva, a fúria me abraça...
Não abro a janela pois tenho medo
Da chuva molhar os sonhos de cedo,
Vãos devaneios que a chuva ameaça.
Imersa em pós, a visão é uma taça
Embebida pelos vapores do ar,
Pela ávida chuva, sempre a me olhar
Com suaves olhos que o vidro embaça.
Por um instante, a chuva trespassa
A janela dos anseios perdidos,
Perde-se entre desejos esquecidos
E esvai-se num volver cheio de graça.
Sobram fragmentos da plúmbea fumaça;
Nebulosas opacas entre ventos...
Restam devaneios e pensamentos,
E a fúria, minha lânguida desgraça!
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