
Danças
Flores intempestivas dançam nos jardins...
As pétalas disformes, dum negro incisivo,
Deixam pender das bordas um fluido vivo,
Germe alegórico trazido dos confins.
Dança macabra, infinita desenvoltura...
Os corpos bailam mergulhados em soluços
De angústia pálida e fria, como repuxos
Perpétuos, ignotos, nas praças da tortura.
As almas voam em sinistros movimentos...
Os restos de carne carcomida no espaço
Cingem as nódoas que se desfazem em maço,
Reunião de cicatrizes e árduos fragmentos.
As mentiras, os loucos, os entediados
Dançam, flutuam sobre as desgraças penosas,
Sorrindo, jovialmente, perante as rosas,
Mórbidas, torpes, rosas dos desesperados.
Inconstantes olhares, revoltos, insanos
Admiram, longínquos, o fétido bailado
Das flores medíocres, o ato consumado;
Retrato da sordidez e do tédio, humanos.
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