abiliomateus.net :: Danças da Escuridão
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Prólogo - A aurora
Dia de chuva
Fuga
Diurnos
Miserabile vita
Inspiração
Deuses metálicos
Ventos e raios
A morte do poeta
A queda
O fantasma
Subterrâneo
Allegro
Os viajantes
O campesino
O Tédio
Ébrio
A morte do assassino
Incenso
Brandemburgo
O medo do solitário
Últimas palavras
A chave
Dualismo
O escritor condenado
Anjo decadente
Danças

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Nota: 1
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Danças


Flores intempestivas dançam nos jardins... 
As pétalas disformes, dum negro incisivo, 
Deixam pender das bordas um fluido vivo, 
Germe alegórico trazido dos confins. 
 
Dança macabra, infinita desenvoltura... 
Os corpos bailam mergulhados em soluços 
De angústia pálida e fria, como repuxos 
Perpétuos, ignotos, nas praças da tortura. 
 
As almas voam em sinistros movimentos... 
Os restos de carne carcomida no espaço 
Cingem as nódoas que se desfazem em maço, 
Reunião de cicatrizes e árduos fragmentos. 
 
As mentiras, os loucos, os entediados 
Dançam, flutuam sobre as desgraças penosas, 
Sorrindo, jovialmente, perante as rosas, 
Mórbidas, torpes, rosas dos desesperados. 
 
Inconstantes olhares, revoltos, insanos 
Admiram, longínquos, o fétido bailado 
Das flores medíocres, o ato consumado; 
Retrato da sordidez e do tédio, humanos. 


Em paz
A velha
Mármore
Pântano
Gritos da miséria
A cega
Suicidas
Saltimbanco
Sobrenatural
Poética das águas
A mortalha
Uma dança
Céu rubro
A carne
Transeunte
Ser poeta
De Profundis...
Vício
Tarde
Soturno
Angústia noturna
Noctívago
O poeta e o doente
Carpe diem
Hora sagrada
Alucinação ou falsa liberdade
Epílogo - O crepúsculo
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