
A velha
A turba revolta em vão alvoroço,
Agitando as cabeças desonestas
Em frenéticas tonturas funestas,
Lembra um desses vermes roendo osso.
No meio do povo inquieto e louco,
A visão duma velha errante assusta,
Enegrece as vistas, os olhos justa,
Fecha, cerra, cegando-os pouco a pouco.
Na fronte enrugada a causa do espanto
Reina soberana entre as sobrancelhas:
Um torpe tumor cinge as rugas velhas
E cresce na face, sem dor nem pranto.
Como um monumento erguido em vil praça,
O tumor canceroso, purulento,
Provoca a ânsia em cada sentimento
De compaixão, pena de tal desgraça.
Mas a velhinha e seu espectro horrendo,
Sorri serenamente sem temer
A repugnância que há de crescer
Cada vez que o seu tumor for crescendo.
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