
Anjo decadente
Acordarei sobriamente no crepúsculo
E qual um morto atroz não mexerei um só músculo
Na tentativa de livrar-me das correntes,
Penosas e estridentes, presas aos meus ossos.
Imóvel, aspirando esses ígneos destroços,
Cultivarei vagos sorrisos decadentes,
Na esperança de lançar-me nas profundezas,
Qual pássaro das trevas, sem medos, tristezas.
Lembranças mutiladas cairão solenes
Nos abismos que crescem em meu crânio, infrenes,
Caindo qual dardos, venenosos, mortais.
Fugazmente sentirei a dor dos ancestrais,
Serei a própria morte humana, o negro tormento,
Sorrindo o tédio, a angústia, e o sofrimento.
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