
Angústia noturna
A solidão infesta-me com suas pragas,
Deixa no meu peito profundíssimas chagas
Que os segundos não curam, revelam as mágoas,
Transbordam o pus em desconsoladas águas,
Espessas correntezas de aguçadas dores;
Lágrimas, surtos de vagidos e estertores.
Nauseantes manifestações de saudade
Acalmam o ácido que o meu corpo invade,
Sulfúrico, corrosivo, letal veneno;
Alcalinos pensamentos tornam ameno,
E pacífico, o malévolo sentimento,
Que fulmina meus órgãos, em órfão lamento.
Sóbrio, desperto às altas horas matinais,
Declamo meus versos às sombras desiguais,
Na ausência da minha musa, na ausência... ausência...
Presença constante da aridez, influência
Contínua de deuses solitários e santos,
Que não convertem minha alma, meus desencantos.
Ah! Sofro de malditas convulsões noturnas...
Não durmo, não descanso. Ruínas soturnas
Amontoam-se em meus olhos, vejo fantasmas,
Sinto saírem do ventre fortes miasmas,
Emanações doentias da solidão,
Que deixa o meu peito em negra putrefação.
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