abiliomateus.net :: Danças da Escuridão — Leia outros poemas do poeta Abílio Mateus Jr. no site entre sombras.
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Prólogo - A aurora
Dia de chuva
Fuga
Diurnos
Miserabile vita
Inspiração
Deuses metálicos
Ventos e raios
A morte do poeta
A queda
O fantasma
Subterrâneo
Allegro
Os viajantes
O campesino
O Tédio
Ébrio
A morte do assassino
Incenso
Brandemburgo
O medo do solitário
Últimas palavras
A chave
Dualismo
O escritor condenado
Anjo decadente
Danças

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Nota: 3
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A carne


"A cada apetite, um mundo." 
Gaston Bachelard

Ainda sangra o maldito pedaço! 
Tenho fome, náusea, uma repugnância 
Que corrói as retinas. Tenho ânsia. 
 
Por vezes reneguei o rubro maço 
Das rígidas vísceras suplicantes, 
Que choram sangue, em jorros rutilantes. 
 
Agora, faminto e sedento, um mundo 
De desejos aflora em minha boca, 
Deixa um rastro de orgia louca, 
Vontade de comer o resto imundo. 
 
Devoro a carniça com imenso asco, 
Com apetite de atroz canibal. 
Tenho fome, náusea, um temor fatal 
De ser minha a própria carne que tasco. 


Em paz
A velha
Mármore
Pântano
Gritos da miséria
A cega
Suicidas
Saltimbanco
Sobrenatural
Poética das águas
A mortalha
Uma dança
Céu rubro
A carne
Transeunte
Ser poeta
De Profundis...
Vício
Tarde
Soturno
Angústia noturna
Noctívago
O poeta e o doente
Carpe diem
Hora sagrada
Alucinação ou falsa liberdade
Epílogo - O crepúsculo
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