
Ao Leitor
A decadência humana é a fonte borbulhante, o jorro inspirador destes versos doentios, deste spleen que se refaz num momento de extrema angústia dos que desejam criar. Cantemos a vida! A morte oculta em cada sorriso deprimente; a piedade se retorcendo em peito senil; a loucura estampada nas faces indistinguíveis...
Caro leitor, não se deixe deter pela aparente torpeza destas palavras. As rubras águas de mórbidos estertores misturam-se ao líquido translúcido e revigorante, o bálsamo dos loucos. Como uma dança de sombras, a decadência e a vitalidade de solenes quimeras esvaem-se no espaço infindo destes versos embriagados de vida e morte.
Nestas páginas aflitivas, as Danças da Escuridão permanecem escondidas, perdidas na negrura de cada verso, cada traço disfarçado de verso. Cabe ao leitor iluminar estes palcos errantes com a luminosidade dos seus vagos sentimentos.
Abílio Mateus Jr.
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